
“O consumidor compra do manequim”, disse Jenny Ming, presidente da Charlotte Russe, loja de roupa jovem em que as poses dos manequins novos vêm de fotos de celebridades no tapete vermelho, com piercing nas orelhas, dedos articulados para usar anel e pés flexíveis para salto alto. “O principal motivo para novos fregueses entrarem aqui é terem visto algo de que gostaram”.
A cadeia Disney Stores acrescentou figurinos de meninos voando pendurados no teto e meninas que fazem reverência. A Nike deixou os manequins mais altos e acrescentou 35 poses atléticas. A Armani Exchange pediu modelos que se deitam para ajudar os compradores a se imaginarem de lingerie. Uma nova loja da Guess que só vende acessórios tem manequins negros brilhantes em poses de modelo na passarela. Já a nova loja de roupa feminina da Ralph Lauren, em Manhattan, encomendou manequins com o rosto da modelo Yasmin Le Bon.
Tudo faz parte de uma revalorização da antiquada decoração de vitrines.
Durante a década de 1990 e começo da seguinte, muitas lojas cortaram custos contratando funcionários inexperientes para vestir os manequins, e a versão genérica era melhor, pois os bonecos tinham de ser à prova de idiotas.
Porém, à medida que os fregueses se tornam mais exigentes, os lojistas esperam que as vitrines sirvam como um convite de entrada, com os manequins feitos sob encomenda passando uma mensagem muito específica.
“Elas personalizam a marca com manequins que são verdadeiras declarações e estão procurando algo um pouco mais personalizado e exclusivo”, disse Peter Huston, presidente de marca da Fusion Specialties, fabricante de manequins do Colorado cujas vendas, quase todas de produtos sob medida, cresceram 48 por cento ano passado.
Um de seus clientes é a Athleta, empresa de moda esportiva da Gap Inc. Ela encomendou manequins baseados numa modelo do catálogo, Danielle Halverson, que treina atletismo para as Olimpíadas.
A Fusion Specialties digitalizou Halverson em sequências estáticas e de movimento. A seguir, durante 15 dias, sete escultores criaram um modelo de argila baseado nos arquivos digitais e, trabalhando aquele montinho de argila, “chegaram a delinear os contornos suaves dos tendões musculares”, disse Tess Roering, vice-presidente de marketing da Athleta, que abriu sua primeira loja física neste ano.

Kevin Moloney/The New York Times


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